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Professor da beleza

January 31, 2010
Wikimedia Commons

Chamado por Marcel Proust de "professor da beleza", o conde Robert de Montesquiou foi um dandy francês que, por sua elegância e vida recatada (quase misteriosa), fascinou seus contemporâneos e foi tomado como inspiração para personagens da literatura, como Des Esseintes ("À Rebours", de Huyssmans) e o Barão de Charlus ("Em Busca do Tempo Perdido", de Proust). Nesse quadro de Giovanni Boldini, de 1897, o conde usa um traje considerado informal para a época: terno acinzentado com paletó e colete de abotoamento duplo, camisa branca com colarinho tipo Gladstone (com as pontas dobradas para fora), laço preto amarrado como plastron e luvas de couro brancas. As calças costumavam ser mais folgadas em cima e afuniladas. Símbolo de status e elegância desde o século 16, a bengala só começou a sair de uso como adereço masculino a partir do início do século 20, quando foi ganhando um caráter mais funcional.

Mais sobre história da vestimenta em “A Roupa e a Moda”, de James Laver.

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Quote of the day

January 31, 2010

“Cavalheiros com convexidade abdominal serão discretos no uso de cores e padrões que possam chamar atenção para essa formação não-romântica.” (Revista inglesa “Tailor and Cutter”, 1890)

Reprodução/Life

Lâmina ilustrada da "Tailor and Cutter" (08/02/1875)

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O velho mundo de “Avatar”

January 29, 2010

Embalagem de peruca para fantasia de na'vi, com a característica trança dos aborígenes de Pandora; em "Avatar" elas garantem a conexão com a Natureza...

Finalmente vi “Avatar”. Realmente as animações e os efeitos são impressionantes. A experiência 3D, apesar dos óculos um tanto toscos e anti-higiênicos, também funciona.

[A partir daqui o texto contém "spoiler". Hahaha! Sempre quis escrever isso!]

Mas, afora a parafernália tecnológica, achei que o filme não diz muito. Se ele tem causado furor com o povo da moda (vide Gaultier alta costura), deve ser porque ele é um pastiche de várias “tendências” que já aparecem nas passarelas, há algumas estações. Uma mistura de militarismo, escapismo, ecologia e um festival de estampa de bicho, se a gente considerar a pele dos na’vi e de todos os monstros da floresta. E qual o penteado mais usado? As tranças. Quem acompanha desfiles já viu isso muito antes do filme (vide Miu Miu primavera-verão 2010). Tudo bem que, em Pandora, as tranças funcionam mais ou menos como um cabo firewire. Mas “Matrix” também já fez algo muito parecido com isso (não com tranças, mas com cabos ligados à nuca). Sem contar que esse conceito de conexão “física” é cada vez mais obsoleto com tantas opções wireless. Está certo que o filme consegue empacotar tudo isso de maneira bem acessível, amarrado por um enredo xaropão, água com açúcar… E com aquela narração em off, tipo filme noir… Mas não é que o clima noir e outras referências aos anos 40 também são tendência em beleza e desfiles (vide Galliano p-v 2010)?

Agora, a trilha… Ah, a trilha dá saudade de Céline Dion…

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Se faz frio no mundo, onde é que faz calor

January 25, 2010



Quando em cima era noite, e, abaixo da noite, lodaçal, da beira, lá, onde o enxofre e a água se apartam, brotou a primeira lágrima. E por não ter nascido de olho vivo, de homem ou qualquer bicho que vê, mas de uma poça mineral, constituiu-se essa gota mais densa e salobra. E correu. Rolou a encosta virgem daquela natura primeva. E, quando já ínfima de correr, decantou. Não sujeita ainda às leis de atração das massas que viriam a seguir, decantou para o alto, perfurando a densa névoa atmosférica, a partir do centro oco e surdo da escuridão. Titubeante, incerto, camacho, partiu com ela o primeiro pulso. E foi assim que principiou tudo quanto ainda haveria. Passados muitos daquilo que viriam a ser Tempos, refinados já os dias do óleo cru da escuridão, houve na face do mundo um tumulto. Em placas, a se desfolhar da parede de uma voragem, abriu-se, como uma floração vesuviana, um rufo de mica. De entre as lâminas translúcidas, nem alheio, nem cônscio, Nume-Ningume estendeu os braços rútilos, a se libertar dos debris de alumina. Erguido de seu sono ancestral, acreditou ser o espaço que viu a carcaça aberta de um dragão extinto, e chamou por Fogo. “Se faz frio no mundo, onde é que faz calor”, perguntou-se, e deixou detrás de si a geração dos homens feitos de zinco e alabastro, sem braços, irmanados pelos cabelos e mudos, a flutuar num lago borbulhante de piche e mercúrio, chorume das caldeiras intestinas do planeta. E foram esses, dizem, os pais de nossos avós. Palavras que desde há muito se repetem.

(Texto impresso em jornal e estampa da marca Amapô, na coleção outono-inverno 2010. A colaboração foi encomendada pela Carô depois de ler o “Bestiaaryo”, e o título é inspirado nos versos da música “Comme à la Radio”, da cantora francesa Brigitte Fontaine)

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Saída de emergência

January 15, 2010

Na volta do Fashion Rio, que aconteceu entre 8 e 13 de janeiro, consegui marcar meu assento do avião na saída de emergência, para ter mais espaço para as pernas. Junto com esse “conforto”, vêm responsabilidades. Quem se senta na saída de emergência, deve abrir a porta em caso de acidente. Vá lá. Esse signo aí em cima fica colado  sobre a saída (a foto está ruim, mas foi o que deu pra tirar com o celular). Nunca entendi o que quer dizer. Mas acho que deve ser algo como:

Se a cabeça preta vir fogo na nuvem, não lave roupa na máquina

Alguma outra sugestão?

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Um cigarro depois e Coco antes de Chanel

October 26, 2009

avantchanel

“Coco Antes de Chanel” é uma bobagem, e Audrey Tautou deve ser uma chata de galocha, pelas entrevistas pretensiosíssimas que tem dado para divulgar o filme, se comparando à própria Chanel. Menos, Audrey… A obra cinematográfica mais à altura do visionarismo de Chanel (embora ela não apareça como personagem) continua sendo “O Ano Passado em Marienbad” (1961), filme do qual ela fez o figurino (leia aqui um post sobre o assunto). Mesmo assim, vamos lá, já está publicada no UOL a crítica de “Coco Antes…”. (Ah, adoro o fato de que no pôster brasileiro o cigarro na mão da estilista tenha sido substituído por uma caneta. Daqui a pouco, teremos de volta as bolinhas que correm atrás de partes pudendas…)

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Risonho… e límpido…

September 2, 2009

Em março deste ano, a cantora Vanusa, 61, foi convidada a cantar o hino nacional em evento da Assembleia Legislativa de São Paulo. O vídeo que registra a apresentação ganhou notoriedade no YouTube só agora. Nele, a cantora se perde entre os versos da música e na melodia, numa performance que levantou suspeitas de que ela estivesse bêbada durante a cerimônia.

A princípio, a cantora erra uma ou outra palavra e, a partir de um ponto, parece improvisar, encaixando aleatoriamente pedaços da letra a uma melodia que vagamente lembra o hino nacional. Na última terça (1º/9), Vanusa contou ao programa “Boa Tarde”, da Band, que, antes de ir para o evento, havia tomado remédio para labirintite, “calmante” e Neosaldina, depois de ter discutido com o filho Rafael (Rafael Vanucci, vencedor do reality “Casa dos Artistas”, do SBT, em 2002). O coquetel supostamente explicaria sua desorientação.

Com seus arranjos pomposos e tom épico, os hinos são feitos para conjurar sentimentos de patriotismo, honra, orgulho e afins. Neste caso, conforme testemunharam alguns no YouTube, provocou “vergonha”. Bobagem. Puro chauvinismo. Tentativas de interpretação “autoral” de hinos –de Jimi Hendrix a Fafá de Belém– nunca deram bons resultados. Nesse contexto, a versão de Vanusa até que é interessante, ainda que involuntariamente, pelo seu radicalismo, pela desconstrução caótica que faz dessa melodia e dessa letra que já se ouve como quem está surdo.

O hino nacional foi composto pelo maestro Francisco Manuel da Silva (1795-1865), fundador do Imperial Conservatório de Música, e a letra foi escolhida num concurso público, realizado no final do século 19, após a proclamação da república, em 1889. Os versos vencedores foram os do jornalista carioca Joaquim Osório Duque Estrada, que, neles, não poupou inversões e uso de vocabulário precioso, típicos do estilo parnasiano –o que não facilitou nada para Vanusa.

Nem para Fafá, primeira artista brasileira de sucesso a gravar o hino nacional em uma versão “interpretativa”, melosa, como se ele fosse uma balada romântica, em 1984, no calor da campanha das Diretas Já. Antes disso, durante os anos da ditadura no Brasil, valia a disposição da Lei 5.700, de 1º de setembro de 1971, sobre os símbolos nacionais, que proíbe a execução do hino em uma versão cantada que não a oficial, arranjada por Alberto Nepomuceno, e discrimina até o tom: fá maior.

Em tempo: Vanusa começou a carreira na jovem guarda, em meados dos anos 60, mas ficou famosa mesmo em 73, com “Manhãs de Setembro”, que trazia o verso “fui eu quem se fechou no muro e se guardou lá fora”. Em 75, gravou “Paralelas”, composição de outro personagem da música brasileira que esteve em evidência nas últimas semanas, Belchior, e que trazia o verso “no Corcovado, quem abre os braços sou eu”. Depois veio “Mudanças”, em 86, em que ela queria “deixar de ser menina, pra ser mulher”. Ou seja, tudo isso prova que não é de hoje que Vanusa tem experiência com versos complicados. O episódio com o hino só pode ter sido mesmo culpa dos remédios.

Abaixo, capa da revista “O Cruzeiro” de 1967 mostra Vanusa e o lutador de telecatch Ted Boy Marino. Na época, os dois integravam o elenco do programa “Adoráveis Trapalhões”, da TV Excelsior, ao lado de Ivon Cury, Dedé Santana e Renato Aragão, um embrião do que mais tarde viriam a ser “Os Trapalhões”.

Imagem: Reprodução

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Lo-Fi KiButz

August 27, 2009

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Acontece na galeria polinesia (com letra minúscula e sem acento), até o dia 26 de setembro, a exposição Lo-Fi KiButz, que reúne 12 artistas que produziram obras especialmente para o evento, em encontros promovidos pela galeria durante o mês de agosto. Participam da exposição Adriano Costa, Ana Mazzei, Antonio Farinaci, Carlos Issa, Cesar Trinca, Fabio Gurjão, Fernando Marques Penteado, Hugo Frasa, John Gall, Marcos Brias, Pedro Caetano e Tomas Malvicino. O vernissage é nesta quinta (27). Abaixo, uma página de “Bestiaaryo”, de Renata Castanho (alcunha da dupla Brias-Farinaci). Clique sobre a imagem para fazer o download do caderno completo (em “.pdf”).

Divulgação

Clique na imagem para baixar um "Bestiaaryo"

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Recheios proibidos

August 18, 2009

Tavez seja uma nova tendência culinária, os recheios proibidos. No sábado passado (15), a Polícia Militar de Campo Grande (MS) encontrou sanduíches de celular durante uma revista num presídio feminino. Na segunta (17), abobrinhas recheadas de cocaína foram apreendidas na República Dominicana.

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Espaço fechado…

August 15, 2009

A mais recente edição do programa “Espaço Aberto”, da Globonews (reprisado na manhã deste sábado), fez de tudo para enfocar a depressão como se ela fosse uma dor nas costas. Já na abertura do programa, a apresentadora Carla Lopes dizia que a depresão “se transformou em um dos males mais comuns da modernidade, e, segundo a Organização Mundial de Saúde, caminha para ser a segunda causa de incapacidade para o trabalho”. Bem pragmática.

Ana Luiza Camargo, psiquiatra do Hospital Albert Einstein, e Paulo Monzillo, neurologista da Santa Casa de São Paulo, passaram meia hora defendendo a tese de que a depressão é uma síndrome sistêmica, causada por condições físicas, como deficiências hormonais etc. Para Ana Luiza, a função das psicoterapias é ajudar o paciente a “aceitar sua condição” de deprimido. Para além disso, só os remédios.

Por que as mulheres são mais susceptíveis? “Isso é uma questão importante que não está resolvida. A gente sabe que tem uma situação hormonal envolvida. E possivelmente tem também uma questão de todo o arcabouço cerebral, de como funciona o nosso sistema nervoso central. Existem doenças que só acometem homens, doenças que só acometem mulheres”, evadiu a psiquiatra.

“Como prevenir a depressão?”. Sim, houve esta pergunta: “Como prevenir a depressão?”.

“Ser feliz. Existe uma dificuldade, muitas vezes, do ser humano, até por questões culturais e religiosas, de se sentir feliz”, respondeu o neurologista. Então, depressão é uma doença com causas ideológicas… “Quando não der para prevenir, é importante fazer o diagnóstico precoce, e sem preconceito”, encerrou Ana Luiza.

É a psicologia da paz, do amor e da flor: Sem preconceito de ser feliz… Como diria Didi Mocó: “Cuma?!”