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i-Deus criou… as francesas

August 20, 2008
Clémentine Beaugrand

Clémentine Beaugrand (Divulgação)

A edição de setembro da revista inglesa “i-D”, que chegou às bancas esta semana, traz uma série de perfis sobre as novas “divas” francesas do cinema, da moda e da música, todas na faixa dos 20 anos. Das atrizes, a revista destaca Clémentine Beaugrand como “a cara” do cinema independente francês. Ela estreou nas telas este ano com “Le Premier Venu”, de Jacques Doillon. A revista diz que a atriz tem uma maneira espontânea de atuar e uma beleza “tomboyish” (algo como “de sapatinha”).

Outro destaque da reportegem é Roxane Mesquida, descoberta aos 13 anos pelo diretor Manuel Pradal, enquanto passeava com a mãe, pelas ruas de Paris. Hoje aos 26 a atriz pode ser vista em seu terceiro longa “A Última Amante” (”Une Vielle Maîtresse”), drama de época em que contracena com Asia Argento.

Acostumada ao universo jet-set francês, Lou Dillon, filha da cantora inglesa Jane Birkin e do diretor Jacques Doillon (citado ali em cima), é a mais “multimídia” do grupo. Atriz, dublê de cantora, estilista e modelo-musa de Givenchy, a moça acaba de assinar uma coleção de jeans para a tradicional marca inglesa Lee Cooper. Lou ganhou ainda este mês um perfil no suplemento feminino especial do jornal inglês “Guardian”.

Prestes a iniciar sua primeira turnê pela França, Victoria Tibblin aparece em meio ao redemoínho de “fúria, suavidade, poesia, pena, submissão e força” de seu pop-rock pesado e intricado, que fala de abandono e operações plásticas, em faixas como “Tue Moi” (”me mata”), “Don’t Leave” (”não vá embora”) ou “Make me Pretty” (”me faz ficar bonita”). O timbre de sua voz incomum tem traços de Brigitte Fontaine, Catherine Ringer (Les Rita Mitsouko) e Suzi Quatro. O Myspace da banda traz seis faixas.

Dorothée Pierson (Reprodução)

Dorothée Pierson (Reprodução)

A DJ Dorothée Pierson é resumida pela revista ao trinômio da sensualidade: “pernão, franjão e cajal”. Seus sets apelam para o indie, com influência do rock dos anos 60, garage e psicodélico. Sua faixa de assinatura é “Roller Girl”, que Serge Gainsbourg compôs para a atriz Anna Karina, ambos na galeria de ícones de Dorothée, que inclui ainda Artaud, Arthur Miller, Godard, Roger Vadim e Russ Meyer. Haja ecletismo.

Surgida na onda do tecktonik, a febre parisiense de dança (e festas) ao som de hip hop e tecno, Lili Azian é dançarina e coreógrafa de origem chinesa nascida nos subúrbios da capital francesa. Junto com o grupo Generation Mondotek, ela viaja pela França fazendo apresentações do estilo que mistura principalmente break e vogue. O YouTube está infestado de vídeos de tecktonik, e um dos mais bacanas é “À Cause des Garçons“, de Yelle, uma das maiores musas dos tecktonistas. Lili, que pode ser vista em centenas de vídeos na web, em apresentações e dando aulas, diz que ela e seus amigos detestam o nome “tecktonik”, que cosideram muito comercial. Eles preferem “elecktro dancing”.

Elas já estão no guarda-roupe das atrizes Uma Thurman e Evan Rachel Wood, e há um ano abriram uma loja no bairro badalado de Saint-Germain-des-Prés, em Paris. Com criações da dupla Delphine Delafon e Alix Petit, a marca Heimstone é a aposta da “i-D” para a moda jovem francesa. As paças-chaves são as túnicas combinadas com calças skinny de couro e os minivestidos. A revista define o estilo como osclinate entre a feminilidade e a excentricidade “tomboyish” (para usar essa palavra novamente).

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Arte de rua

August 18, 2008


Imagem de trabalho do grupo americano Faile, na fachada da galeria Tate Modern, em Londres, que tem como um dos destaques a exposição Street Art (em cartaz até 25 de agosto), que traz nomes como os brasileiros Os Gêmeos e Nunca, o italiano Blu e o francês JR, entre outros. Clique sobre a foto para ver slideshow com imagens da fachada da Tate Modern.

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Christiane F., 46 anos, está de volta

August 17, 2008

Vera Christiane Felscherinow, a mítica Christiane F., que aos 13 anos foi “drogada e prostituída”, segundo conta seu livro de 1979, está de volta à mídia. Christiane ganhou há duas semanas a capa do tablóide alemão “B.Z.” ao ser presa e “devolver” a guarda do filho de 10 anos às autoridades alemãs.

Segundo a reportagem, Christiane estaria usando heroína novamente e teria entregue à polícia a criança que estava “seqüestrada” em seu poder, na Holanda, desde o início do ano.

Sensacionalista, o tablóide conta como Christiane teria imigrado para lá com o namorado, e como teria levado ilegalmente o menino, que deverá agora ser entregue aos avós.

O fato é que a própria Christiane sempre admitiu temer recaídas, e, mesmo longe da heroína, sempre consumiu metadona, droga fornecida pelo sistema de saúde estatal para ex-viciados. É claro também que o escândalo é a cultura da hipocrisia, e quem fala em termos de “recaída” para usuários de heroína (e também de cocaína, álcool, cigarro, açúcar, amor bandido) ou bem não sabe do que está falando, ou está se fazendo de tonto.

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Algo de que pouca gente se lembra é que Christiane F. também teve uma breve carreira como cantora, no início dos anos 80, e chegou a ter um mini-hit, a canção “Wunderbar” (”maravilhosa”), gravada em 1982, no auge da popularidade do livro “Wir, Kinder vom Bahnhof Zoo” (”nós, crianças da estação do Zoo”, traduzido no Brasil como “Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída”), que a essas alturas até já havia virado filme. A música saiu em um compacto intitulado “Gesundheit” (”saúde”) e tem o bordão sugestivo “ich bin so süchtig” (”estou tão fissurada”), um tanto contraditório para alguém que naquela época dizia estar “limpa”.

Abaixo, um remix de “Wunderbar” feito por Brezel Göhring, do Stereo Total, lançado em compacto 7″, numa tiragem de apenas 300 exemplares (o lado B traz um remix de “Eulogy to Lenny Bruce”, de Nico). É melhor do que o original.

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Adeus, Dorival…

August 16, 2008

E de todos os acontecimentos do cenário da música brasileira, neste ano em que deram de comemorar o 50º aniversário da bossa nova, aquele que mais ficará na memória é a morte de Dorival Caymmi –ele, que com sua delicadeza, sofisticação e simplicidade foi uma das grandes inspirações do movimento capitaneado por Tom Jobim e João Gilberto. Com pouco mais de 100 canções compostas em seus 70 anos de carreira, o legado de Dorival para a música brasileira é conciso demais para deixar de ser conhecido em toda sua extensão. Sejam suas canções dedicadas à Bahia, que são praticamente um “lieder” sobre personagens e lugares míticos de sua terra (o jangadeiro, o pescador, a preta do acarajé, mãe menininha, abaeté, itapoã etc), sejam suas canções românticas, que com sua lírica coloquial e urbana lançaram um novo vocabulário para se falar de amor na música brasileira. Ou, como diz um de seus maiores sucessos: “Não fazes favor nenhum em gostar de alguém… Nem eu, nem eu, nem eu”. Alguém ainda duvida?

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Vou de táxi…

August 15, 2008
Marcos Hermes/Divulgação

João Gilberto canta no Auditório Ibirapuera, em SP (Foto: Marcos Hermes/Divulgação)

Um passarinho me contou… Na última quinta (14), noite de estréia de João Gilberto, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, na primeira fila da platéia, um executivo do banco Itaú, patrocinador do show, contava para a empresária e promoter Bia Aydar mais uma história que deve entrar para o folcore do cantor baiano:

João Gilberto, que mora no Rio, tinha à sua disposição um jatinho para vir a São Paulo. O vôo deveria partir às 15h. O cantor pediu para que fosse mudado para as 17h. Chegou ao aeroporto cinco minutos atrasado. Um agente da Polícia Federal pediu um documento de identificação para deixar que ele passasse para a área de embarque. O cantor não tinha e explicou: “Não uso documento”, e deu meia volta. Um funcionário da produção do show então perguntou aonde ele ia: “Vou pegar um táxi, tenho um show em São Paulo”. Mais tarde, o embarque do cantor foi liberado.

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Na mesma noite, na entrada do auditório, fotógrafos penavam para conseguir tirar fotos de celebridades. O ator Wagner Moura era uma das poucas que estava no local. Lá pelas tantas, chegam esbaforidos o casal Hector Babenco e Bárbara Paz. Ao perceber o alvoroço provocado pelos dois, uma repórter orienta o fotógrafo que a acompanhava: “Vai lá, fotografa aquele careca”, diz, referindo-se ao cineasta argentino. “Que careca?”, pergunta o fotógrafo. “Aquele careca que está pegando a Bárbara Paz”, responde a repórter. Como diz um amigo, “são precisos 30 anos de cinema para virar ‘o careca que está pegando a Bárbara Paz’”.

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Sélavy está em Londres, mas tem olhos e ouvidos no mundo inteiro. Obrigado.

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Leia aqui resenha de Ronaldo Evangelista, no UOL, sobre o show.

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O eixo do prazer

August 11, 2008

Localizada entre as estações de metrô Moritzplatz e Kottbusser Tor (linha U8), a Oranienstrasse é uma das ruas principais do Kreuzberg. Ao redor dela, ficam os bares e boates do bairro, o mais agitado e menos freqüentado por turistas (que preferem o Mitte e Prenzlauer Berg). Abaixo um mapa com 10 sugestões testadas (e aprovadas) por este blog. Viel Spaß.

Clique sobre o mapa para ver detalhes

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Coeur-en-valise

August 5, 2008

Uma homenagem a Duchamp, que criou a “Boîte-en-valise” e aos franceses em geral, que inventaram o ravioli-en-boîte… Mais uma imagem das ruas de Berlim: Linienstrasse, esquina com Rosenthaler. Clique aqui para ver mais cartazes e arte de rua berlinense.

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Gay gum

August 5, 2008

Este é o chiclete gay. Ganhei de uma amiga que trouxe de Nova York. É mais ou menos do tamanho de uma caixinha de Mentex e vem com oito chicletes com “sabor artificial de fruta fresca”. No verso, pondera: “Há décadas que a comunidade gay demonstra orgulho por suas conquistas na área da moda, penteados e decoração de interiores. Pouco conhecidas são as conquistas gay no campo da perfuração petrolífera, lançamento de foguetes, exploração com sonda e desenvolvimento de lubrificantes industriais.” Abaixo do texto, a foto de uma torre de petróleo ligeiramente estilizada, de forma a lembrar um pênis ereto. Supostamente, essa seria a primeira bomba de petróleo gay, “a mais potente e de alcance mais profundo”. O “Gay Gum”, que custa US$ 1,25, é produzido pela empresa Blue Q e faz parte de uma série que inclui outros chicletes, como o “I’m so wasted gum”, “Let’s pretend I give a shit gum”, “Could you be a bigger bitch gum” e o incrível “Every time you masturbate, God kills a kitten gum“.

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Alto-contraste

August 5, 2008

Mais pixações, stickers e cartazes das ruas de Berlim. Clique aqui para ver.

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Nos tentáculos do amor…

July 30, 2008

Acima, uma miniatura de marfim japonesa do século 19 mostra um macaco e um polvo abraçados. Entre decorativo e utilitário, esse tipo de escultura é conhecido como “netsuke” e serve tradicionalmente de botão para prender uma pequena bolsa ao cinto de quimonos. O exemplar acima foi leiloado em Londres pela Sotheby’s por 822 libras. Com apenas 5,5 cm de largura por 7,8 cm de altura, a peça é notável pela expressão de encantamento nos olhos do macaco, a delicadeza com que ele segura um dos tentáculos do polvo e por como o molusco parece se exibir, com a camisa aberta, duas “mãos” na cabeça, fazendo bico. A descrição da peça no site da casa de leilões faz uma interpretação ligeiramente diferente da cena: “polvo de jaqueta, de pé sobre concha, aprisiona com dois tentáculos macaco sentado a sua frente”…