Archive for the ‘livros e revistas’ Category

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Sucesso de vendas

September 15, 2010

Celebridades mortas. Nada vende mais revistas do que esse tema, garante o consultor de mídia John Wilpers, da empresa americana Innovation Media Consulting, que tem entre seus clientes periódicos como o “Libération”, “The Observer”, “USA Today” e o jornal “O Globo”. Segundo Wilpers, “Rico é melhor do que pobre; jovem é melhor do que velho; cinema é melhor do que televisão; televisão e cinema são melhores do que música. Nada é pior do que política; nada é melhor do que celebridade morta”. Baseado em dados assim, a empresa elabora relatórios para orientar as editoras na busca de um público maior.

O consultor participava do 4º Fórum ANER (Associação Nacional de Editores de Revista), realizado em São Paulo, na última quarta-feira (14).

(Com dados do Portal Comunique-se)

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Balzaquiana

September 9, 2010

Kristen McMenamy clicada por Jurgen Teller, na "i-D" de março de 96

A revista inglesa “i-D” fez 30 anos em agosto e disponibilizou em seu site todas as capas de sua história, a maior parte deles retratos na pose que foi celebrizada pela publicação, em que o sujeito aparece com um olho fechado ou coberto. A piscada é uma referência ao nome da revista e seu logo, que, visto de lado, representa uma carinha sorridente com um olho fechado. A revista foi fundada por um ex-diretor de arte da “Vogue” inglesa, Terry Jones, e difundiu um tipo de fotografia de moda naturalista que ficou conhecido como “straight up”. O estilo se caracteriza por fotos simples, sem cenário, tiradas de um modelo em frente a um muro branco, por exemplo, dos pés à cabeça. Fotógrafos como Ellen von Unwerth, Juergen Teller, Terry Richardson e Wolfgang Tillmans são colaboradores frequentes da publicação.

Clique aqui para ver as capas

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Eremitas

August 17, 2010

Abaixo, mais um trecho traduzido por este blog do livro “English Eccentrics and Eccentricities” (1866), de John Timbs, do capítulo sobre “Eremitas Ornamentais”. Quem quiser fazer o download gratuito de um arquivo “.pdf” do livro, clique nos links ao lado: volume 1, volume 2

(…)

No ano de 1863 houve no vilarejo de Newton Burgoland, perto de Ashby-de-la-Zouch, Leicestershire, um eremita cujo nome verdadeiro é pouco conhecido, embora ele tivesse vivido ali por quase quinze anos. Mesmo não sendo um recluso, nem asceta, mas vivesse confortavelmente e saboreasse seu jantar, sua cerveja e seu cachimbo; de acordo com sua própria definição, ele estava em posição de ser denominado um eremita. “Eremitas verdadeiros”, dizia ele, “através das eras, têm sido firmes entusiastas da liberdade”. Com relação a sua aparência, seus modos e hábitos, ele era um eremita, um solitário em meio a seres humanos. Usava uma longa barba e tinha uma aparência muito venerável. Ele se vestia de maneira bastante fantástica e contava com uma grande quantidade de conjuntos. Tinha nada menos do que vinte tipos diferentes de chapéus, cada um deles com um nome e um formato próprios, com algum emblema ou divisa –às vezes, ambos. Seguem aqui alguns exemplos:

Nº………… Nome ……………..Divisa ou Emblema
1. Camaradas Singulares…..Sem dinheiro, sem amigos, sem crédito
5. Fole……………………….Atiçai as chamas da liberdade com a palavra verdadeira de Deus
7. Elmo…………………………..Luta-se pelo direito de nascer da consciência, amor, vida, propriedade, e independência nacional
13. Chaleira Patente…………Para melhor extrair o sabor do chá – União e Boa Vontade
17. Bacia da Reforma……….Rosto branco lavado e coração encardido
20. Colmeia…………………….Doces são as labutas da indústria; sábios são os povos que vivem em paz

O formato dos chapéus e seus adereços deveriam simbolizar algum fato importante ou sentimento.

Ele tinha doze conjuntos, cada qual com um nome peculiar que os diferenciavam entre si, e, como seus chapéus, pretendiam ser emblemáticos. Uma túnica, que ele chamava de “Camaradas Singulares”, era de algodão e linho brancos. Pendia folgada sobre o corpo, arrochada apenas por uma faixa na cintura, afivelada na frente. Sobre o peito esquerdo havia um distintivo em forma de coração, que trazia as palavras: “Liberdade de Consciência”, que ele chamava de sua “Ordem da Estrela”. O chapéu que ele usava com a túnica era quase branco, de um formato ordinário, mas trazia em si quatro adereços fantasiosos, atados por uma fita negra, e inscritos cada um com um destes dizeres: “Abençoe, ração — boa pensão — bem vestidos — todos os trabalhadores”.

Outra túnica, que ele denominava “Florestais”, era um tipo de sobrecasaca, feita de couro marrom amaciado, discretamente bordada com alamares. Esse casaco era fechado na frente com botões brancos, e cintado com uma faixa presa por uma fivela branca. O chapéu, ligeiramente assemelhado a um turbante, era dividido em faixas brancas e pretas que o circundavam.

Outra túnica, a que ele chamava “Militar”, tinha alguma semelhança com o uniforme militar do início de nosso século: o chapéu era entre o antiquado bicorne e aquele usado por comandantes militares; mas, em vez da pluma militar, ele tinha dois picos apontados para cima, não muito diferentes das pontas das orelhas de um cavalo. Esse chapéu, que ele afirmava custar 5 libras, nunca era usado, apenas em ocasiões importantes.

Uma mania de simbolização permeava todos os seus pensamentos e ações. Seu jardim era uma perfeita coleção de emblemas. As árvores, os caminhos, as quadras, os canteiros, as flores, os bancos e arbustos, tudo era arranjado simbolicamente. Na passagem que levava ao jardim estavam “os três assentos da Auto-Inquisição”, cada qual inscrito com uma destas perguntas: “Serei vil?”, “Serei Hipócrita?”, “Serei Cristão?”. Dentre os emblemas e divisas, que eram marcados por pedregulhos de cores diferentes ou flores, havia:– “Vasos do Tabernáculo”; “Armadura do Cristão–ramo de oliva, fonte batismal, couraça de retidão, escudo de fé”, etc. “Monte Pisga”; um círculo contorna a divisa “Amor Eterno desposou minh’Alma”; “Uma Colmeia”; “Uma Igreja”; “Urna Sagrada”; “Túmulo Universal”; “Leito de Diamantes”; “Um Coração que encerra a Rosa de Sharon”. Todos os implementos utilizados em jardinagem: “O Caramanchão de dois Corações”; “A Oração dos Enamorados”; “Bênção Conjugal”; “Os Brasões do Eremita”; “Corte das Fofocas”, com a divisa “Não Conte a Ninguém!”. O “Caminho da Cozinha” contém representações de utensílios culinários, com divisas. A “Quadra do Banquete” contém a divisa “Pastel de Cervo”; “Olho de Bife” etc. A “Quadra dos Camaradas Singulares” traz “Bicado pela Galinha, o Marido vai pro Mingau”. O “Oratório” traz várias divisas; a “Orquestria” tem as divisas “Deus salve nossa Nobre Rainha”; “Bretões não serão nunca Escravos” etc. “A Ampulheta do Tempo”; “O Monte Sagrado”; “A Arca de Noé”; “Arco-Íris”; “A Escada de Jacó” etc. O “Banco da Fé”; “O Salão”; “O Solo Encantado”; “A Saída” –todos com seus emblemas e divisas representativas. Além desses artifícios fantásticos, há, ou havia, em seu jardim, representações da Inquisição e do Purgatório; efígies dos Apóstolos; e outeiros cobertos de flores para representar o túmulo dos Reformistas. Em meio aos emblemas religiosos erguia-se uma enorme pia, com uma espécie de tablado em frente, para representar um púlpito. O jardim era visitado por pessoas que viviam na vizinhança. Nessas ocasiões, ele se empoleirava do alto da pia e fazia uma pregação para a plateia, reclamando de toda sorte de opressões religiosas e políticas, reais ou fantasiosas. Ele vociferava contra o Papa, chamando-o de Anti-Cristo e inimigo da humanidade; e quando ele fugiu de Roma disfarçado de empregado (N.T.: De novembro de 1848 a junho de 1849, Pio 9º afastou-se de Roma, durante a guerra de unificação italiana), nosso velho eremita enfeitou a cabeça com louros, e, assim paramentado, foi para a Capela Independente, declarando que “o reino do homem de pecado havia chegado ao fim”.

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Excentricidades

August 4, 2010

UM MÉDICO GOURMAND

O doutor George Fordyce, professor de anatomia e química, estava acostumado a jantar todos os dias, por mais de 20 anos, na churrascaria Dolly, na passagem de Queen’s Head, em Paternoster Row. Suas pesquisas de anatomia comparada haviam-no levado a concluir que o homem, por força do hábito, acaba comendo mais do que requer sua natureza, ao passo que para o leão, esse nobre animal, basta uma única refeição por dia. Ele fez uma experiência consigo mesmo, em seu restaurante favorito, e, considerando-a bem sucedida, continuou com o regime abaixo, durante os anos anteriormente mencionados.

Às quatro da tarde, seu horário de almoço costumeiro, ele entrava na churrascaria Dolly e se sentava em uma mesa sempre reservada para ele, sobre a qual eram imediatamente dispostos uma caneca de prata cheia de cerveja amarga, uma garrafa de vinho do porto e uma jarra que continha cerca de 150 ml de brandy. No momento em que o garçon anunciava sua presença, o cozinheiro colocava um quilo de alcatra na grelha; e na mesa alguns quitutes, a título de bonne bouche, para serem consumidos até que a carne estivesse pronta. Essa entrada algumas vezes consistia de meio frango ensopado, às vezes uma pratada de peixe; depois de comer essas iguarias, ele tomava um copo de seu brandy, e continuava a refeição, devorando o bife. E dizemos “devorando”, porque ele sempre comia muito depressa, como se tivesse feito uma aposta. Ao terminar a carne, ele tomava o resto do brandy. Durante a refeição, tomava a caneca de cerveja, e, depois, a garrafa de porto.

O doutor passava então ao Chapter Café, em Paternoster Row, e lá ficava, enquanto bebericava um copo de brandy com água. Era então seu hábito tomar mais um no Café London, e um terceiro no Café Oxford, depois do que ele voltava para casa, em Essex Street, para dar uma palestra sobre química. E não fazia nenhuma outra refeição até seu retorno, no dia seguinte, às quatro, à churrascaria Dolly.

Por vezes, os hábitos destemperados do doutor Fordyce colocavam em risco sua reputação, bem como a vida de seus pacientes. Certa noite, ele foi chamado às pressas, entre um gole e outro, para atender uma dama da nobreza que teria passado mal repentinamente. Ao chegar ao apartamento de sua paciente, o Doutor sentou-se a seu lado, e, tendo ouvido uma ladainha de sintomas que pareciam bem anômalos, ele prosseguiu para tomar seu pulso. Ele tentou contar o número de batidas; mais ele tentava fazer isso, mais seu cérebro girava e menos ele tinha controle de si. Consciente da causa de sua dificuldade e em um momento de irritação, ele inadvertidamente deixou escapar, “Céus, que bebedeira!”. A dama ouviu sua observação, mas permaneceu em silêncio; e o médico, tendo prescrito um remédio leve, um que ele mesmo tomava nessas ocasiões, partiu logo em seguida.

Cedo, na manhã seguinte, ele foi acordado por uma mensagem um tanto imperativa de sua paciente da noite anterior, para que fosse vê-la imediatamente; e ele logo concluiu que o assunto dessa convocação deveria ser para censurá-lo pelo estado em que ele havia feito sua visita na ocasião anterior, ou talvez por ter ministrado uma dose forte demais de remédio. Perturbado por essas reflexões, ele adentrou o quarto da dama, totalmente preparado para uma severa reprimenda. A paciente, entretanto, começou agradecendo por ter sido ele tão solícito, e depois disse que havia ficado deveras impressionada com seu discernimento na noite anterior; confessou que ocasionalmente ela sucumbia ao vício que ele havia detectado; e concluiu revelando que o motivo de tê-lo convocado tão cedo era o de obter dele uma promessa: de que manteria em sigilo inviolável o estado em que ele a havia encontrado.  “Pode contar comigo, senhora”, respondeu doutor Fordyce, com um semblante que não se alterara desde que a paciente havia iniciado sua história; “permanecerei silencioso como um túmulo”.

Conta-se essa história também a respeito de Abernethy, mas é do doutor Fordyce a paternidade.

***

Trecho do livro “English Eccentrics and Eccentricities (Vol. 2)” (1866), do inglês John Timbs. Traduzido especialmente para meu amigo Rodolpho Parigi, que adora uma história excêntrica. O livro serviu de inspiração para dame Edith Sitwell que, quase 70 anos depois, lançou seu “English Eccentrics, a Gallery of Weird” (1933), com capítulos inteiros “decalcados” do livro de Timbs, como um dedicado aos “eremitas ornamentais”.

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Olivia’s Shopping

June 21, 2010

A pessoa mais difícil de se encontrar em Londres é um alfaiate ou costureiro prestativo e moderado que saiba cortar e costurar roupas bem feitas sem levar você à bancarrota.

Em todos os grandes magazines podem ser encontradas roupas bem feitas. A dificuldade é conseguir roupas bem feitas que não custem uma fortuna. Todo ano, o preço médio de um vestido sobe, a cada ano que passa, fica mais difícil passar sem as delicadas maravilhas que os estilistas adoram criar. Há não muito tempo, era possível conseguir um vestido feito na costureira, sob encomenda, por £30. Hoje em dia, no entanto, quando você tenta fazer algo por esse orçamento, é preciso deixar de fora tudo aquilo que faz com que um vestido seja atraente. Uma roupa sem forro é como um bolo sem frutas; no entento, para ficar dentro do orçamento, lá se vai o forro de seda da lista de extras. Outras coisas vão na sequência, até que sobra apenas um fiapo de vestido, sem anatomia adequada. £35 (oh, forasteiro em Londres!) dão para um vestido com forro de seda sob encomenda, £45 dão para um com acabamentos, £75 dão para um com acabamentos feitos a mão, e £100 compram um vestido dos sonhos. £25 é realmente um valor impossível, e, no entanto, há não muito tempo, parecia suficiente.

Trecho traduzido por este blog do livro “Olivia’s Shopping” (autor anônimo, Gunpowder Press), um guia de compras de Londres, publicado em 1906. Vale notar que, 100 anos depois, a libra esterlina vale aproximadamente 80 vezes menos, para cálculo de preços. Assim, £25 correspondem atualmente a cerca de £2.000 (R$ 5.300), valor que, no início do século 20, a narradora do livro considerava insuficiente para se comprar um bom vestido.

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Alice em Oxford

April 28, 2010
Sélavy

Escada de acesso ao refeitório da faculdade de Christ Church, em Oxford, onde viveu o criador de "Alice no País das Maravilhas"

Já estão publicados em UOL Viagem uma reportagem e uma galeria de fotos sobre “Alice” e a cidade de Oxford, que revela, num passeio de uma tarde, locais que serviram de cenário e inspiração para o livro de Lewis Carroll. Veja aqui.

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Listras diabólicas

April 8, 2010

Dei ontem com um livro chamado “The Devil’s Cloth”, na loja do museu Victoria & Albert. É um estudo de Michel Pastoureau, especialista francês em história medieval, sobre o surgimento das listras nos tecidos ocidentais. No século 13, quando apareceram pela primeira vez, vindas do Oriente Médio, foram consideradas impróprias e um sinal de proscrição. Traduzo abaixo um trecho do livro:

“Escândalo irrompeu na França em meados do século 13. Ao fim do verão de 1254, para ser preciso, quando Luis 9º voltou a Paris após uma cruzada mal sucedida, um dramático período de cativeiro e uma longa estadia de quatro anos na Terra Santa. O rei não voltou sozinho. Trouxe consigo um punhado de monges recentemente chegados à França e, entre eles, alguns irmãos da ordem carmelita. E foram eles que causaram o escândalo: Eles usavam roupões listrados!”
(“The Devil’s Cloth: A History of Stripes & Striped Fabric”, Columbia Press/”L’Étoffe du Diable : Une histoire des rayures et des tissues rayés”, Ed. Seuil)