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So long, Blossom…

February 9, 2009

blossomMorreu no último sábado (7) a cantora e pianista americana Blossom Dearie, aos 84, em seu apartamento de Nova York (Leia no NYT).

Dona de uma musicalidade sofisticada e personalidade espirituosa –e mantendo-se sempre à distância do virtuosismo e do bufo–, Blossom contava entre seus fãs nomes do panteão do jazz, como o trompetista Miles Davis (que a cita em sua autobiografia), o acordeonista Toots Thielemans (com quem gravou) e o dono da gravadora Verve, Norman Granz, que a contratou assim que a ouviu pela primeira vez, em meados dos anos 50, em Paris.

Mesmo sem ter a popularidade de outras cantoras de sua geração, como Sarah Vaughan e Carmen McRae, Blossom contava com uma aura de prestígio e exclusividade que lhe conferia um status de diva cult. Que o digam seus admiradores fiéis que lotavam as apresentações intimistas no Danny’s Skylight Room, em Midtown Manhattan, enquanto a cantora apresentou por lá, até 2006, ano em que deixou de fazer shows.

Dona de uma voz delicada, “que não alcançaria o segundo andar de uma casa de boneca”, nas palavras do crítico Whitney Balliet (do “New Yorker”), Blossom costumava dizer que não considerava haver nada de especial com seu canto, mas sim com sua musicalidade.

Para ser ser justo, é preciso dizer que especial como sua musicalidade e sua voz era seu senso de humor, em canções como “Someone’s Been Sending me Flowers” ou “Bruce” (em que dá conselhos a um amigo drag). Dizia, por exemplo, ter levado “onze anos” para aprender a interpretar “Lush Life”, de Billy Strayhorn. “É uma canção muito difícil”, justificava, “e, ainda por cima, triste”. Certa vez, interrompeu uma apresentação no Danny’s para que o técnico de som verificasse o que havia de errado em seu piano, que, segundo ela, parecia ter dentro “uma pena”.

Gostava de música brasileira, especialmente de bossa nova e Tom Jobim, mas lamentava a má qualidade das versões das letras em inglês. Do compositor carioca, gravou “Quiet Nights (Corcovado)”, no álbum “May I Come In”, de 1964, e “Wave”, em seu último disco, “Blossom’s Planet”, de 2000. Vez ou outra, seus discos incluíam alguma de suas próprias composições. Todas com sua verve imbatível. São seus alguns dos versos mais safadinhos da música americana: “If you don’t want my peaches, baby/Why do you shake my tree”, de “Blossom’s Blues”.

Sua discografia compreende pouco mais de 20 títulos gravados em 50 anos de carreira. Em seu repertório, populado por baladas de Johnny Mercer, Michel Legrand, Rodgers e Hart, Fisher e Segal, dedicou especial atenção a um de seus compositores favoritos, Dave Frishberg. Duas das canções mais pedidas em seus shows eram as impagáveis “I’m Hip” e “Peel me a Grape”, parcerias de Frishberg com Bob Dorough.

“Eu penso em mim como uma cantora (favorita) de compositores. Todas as grandes canções da Broadway e de Hollywood estão em meu repertório, junto a trabalho de artistas contemporâneos, como Dave Frishberg. Os compositores me trazem suas canções porque confiam em mim para definir seu trabalho com respeito. Isso é muito lisonjeiro.” (Blossom Dearie, em entrevista ao crítico inglês Leonard Feather)

Clique na imagem abaixo para ouvir “I’m Hip”, sucesso de Blossom Dearie:

Assista a outros vídeos com músicas da cantora…

Ouça programa de rádio de 2001, na NPR (National Public Radio), em que Blossom Dearie canta e fala sobre sua carreira. O programa é apresentado pela pianista e compositora inglesa Marian McPartland, amiga pessoal de Blossom.

One comment

  1. delicia! obrigado



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