h1

Olhar e desejo

July 19, 2008
Herbert Tobias/Divulgação

Auto-retrato, Paris 1953 (Herbert Tobias/Divulgação)

Está em cartaz na Berlinische Galerie, até o final de agosto, uma mostra retrospectiva do fotógrafo alemão Herbert Tobias (1924-1982). “Blicke und Begehre” (“olhar e desejo” em português) retraça a carreira desse artista intrigante, considerado um enfant-terrible da fotografia do pós-guerra, que registrou com seu trabalho temas tão diversos como fronts de batalha da Segunda Guerra, a construção do muro de Berlim, moda, política, o jet set europeu e pornografia homossexual.

Um dos cartazes da mostra traz uma foto emblemática do trabalho de Tobias, um retrato do líder revolucionário alemão Andreas Baader, sem camisa, numa pose sensual no mínimo inusitada para o fundador de um grupo de luta armada, a Facção Exército Vermelho, acusado de terrorismo.

A exposição traz ainda uma série de fotos de moda com várias modelos dos anos 50 e 60. O grupo inclui  Christa Päffgen, que ele descobriu ainda adolescente, e que anos mais tarde se tornaria cantora, com o nome Nico, sugerido por ele.

E se em sua maioria as mulheres fotografadas por Tobias eram modelos profissionais, retratadas de maneira glamurosa e distante, os homens faziam parte de seu círculo de relações e aparecem em retratos com forte carga sensual. Intimidade, cumplicidade e mesmo o “desejo” que está no nome da mostra transparecem no olhar desses modelos e como que incluem o fotógrafo dentro da imagem. Esses retratos são um dos pontos altos da exposição, juntamente com as fotos de pornografia.

As imagens de homens nus (que incluem estudos do artistas e trabalhos comissionados por revistas gays da época) pendem muitas vezes para o kitsch pornográfico, com cenários produzidos e poses estudadas (várias delas inspiradas por Jean Genet), mas reivindicam para Tobias o posto de pioneiro numa linguagem que seria mais tarde exaurida por artistas como Pierre e Gilles, Mapplethorpe e outros.

A Berlinische Galerie conta em seu acervo ainda com uma grande coleção de arte contemporânea, que inclui nomes como Georg Baselitz, Michael Schmidt e Via Lewandowsky.

Uma das salas que já vale a visita ao local é a dedicada ao artista italiano Emilio Vedova (1919-2006) e sua instalação “Absurdes Berliner Tagebuch” (“diário berlinense absurdo”), de 1964, com pinturas gigantes, feitas em placas de madeira, pelo meio da sala ou dependuradas da parede, que adquirem uma presença praticamente de escultura.

Ralf Herzig/Divulgação

Obra de Emilio Vedova na Berlinische Galerie (Ralf Herzig/Divulgação)

One comment

  1. Vedova was amazing, fenomenal



Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: