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Mãos pelos pés

July 9, 2008

Foi inaugurada no último sábado (5), no KW Institute for Contemporary Art, em Berlim, uma exposição que reúne os artistas alemães Ricarda Roggan, 36, e Albrecht Schäfer, 41, com o americano Richard Serra, 69.

Entitulada “Thinking of your Feet”, a mostra de Serra é a primeira dedicada apenas a trabalhos feitos em filme pelo escultor minimalista californiano e traz cinco deles realizados entre 1968 e 1976, incluindo o primeiro, “Hand Catching Lead” (acima).

O título da exibição, instalada no terceiro andar do prédio do KW, é uma brincadeira, uma vez que a maioria desses filmes (todos em preto e branco) está focada sobre a imagem das mãos.

No filme mencionado acima, durante cerca de três minutos, uma mão direita tenta segurar placas de chumbo atiradas do canto superior da tela. Em “Hands Scraping”, as mãos de Serra e do músico Philip Glass tentam limpar uma pilha de rebarbas de metal atiradas ao chão. Em “Hands Tied”, mãos atadas tentam se libertar de suas amarras. Em “Frame”, munidas de uma régua, mãos medem os limites dos cantos da tela, e depois as dimensões de uma janela que dá para a rua. Em “Railroad Turnbridge”, está a conexão menos óbvia com o título da mostra, que se dá por sua admiração pela engenharia e construção da obra, uma ponte que se abre para dar passagem a um navio.

Os filmes são um contraponto intrigante ao minimalismo superdimensionado das esculturas do artista, expresso em peças de metal que podem ultrapassar 200 toneladas (veja aqui foto da obra “The Matter of Time”, instalada no Guggenheim de Bilbao). Outros trabalhos importantes de Serra com imagem em movimento são os vídeos “Television Delivers People” (1973) e “Boomerang” (1974), que podem ser vistos na Internet.

“Quando eu vi ‘Chelsea Girls’ (de Andy Warhol) e ‘Hand Film’, de Yvonne Rainer, senti que a possibilidade de fazer um filme estava aberta para mim. Até aquele ponto, eu sentia uma certa deferência por filmes, e talvez eles me assustassem um pouco; eu não pegava numa câmera”, conta Serra no catálogo da exposição. “Eu provavelmente tive de fazer esses filmes para tornar a diferença com a escultura mais clara para mim”.

Instalado no subsolo do KW, os grandes painéis fotográficos (de até quatro metros e meio de comprimento) de Ricarda Roggan são “massas” de luz e escuridão da qual emergem carros batidos, móveis, texturas de paredes e florestas.

A artista nascida em Dresden, que se define como uma “fotoarqueóloga”, tem uma paixão pelo interior de edifícios abandonados e por criar uma nova ordem nesses espaços. Assim, numa escola abandonada, as mesas e cadeiras (que já estavam lá) são meticulosamente reposicionadas, num processo de “apropriação” do espaço em que são apagados quaisquer traços de presença humana. “Eu tenho que fazer com que esse quarto seja meu”, ela conta em entrevista ao site do Deutsche Börse Group. E continua: “Prefiro fotografar salas a pessoas, pois posso controlar melhor as salas”.

Quatro grandes séries se destacam na exposição da fotógrafa: uma tirada no interior de um casebre de paredes escuras (“Attika”), outra tirada no interior de uma funilaria (“Garage”), outra em uma sala de paredes de tijolos brancos (“Schacht”, acima) e uma num bosque (“Bäume”).

Pontuam esses grupos, um grande tríptico de uma mesa longa com cadeiras (“Stall”) e uma intrigante foto que mostra o canto de uma sala sobre o qual foram postos cabos tensionados que criam a ilusão de que a imagem foi riscada (“Stall”).

Apesar das fotos serem coloridas, a cor é quase secundária no trabalho de Roggan, em que predominam os jogos com o limite de sombra e luz, e uma quase monocromia.

No primeiro andar do KW, está montada a obra mais interessante de Albrecht Schäfer, “Welle”. Sarrafos de madeira “prensados” entre o piso e o teto, verticalmente, refletem em seu arqueamento os arcos que há na estrutura acima, e formam as ondulações que dão nome ao trabalho e provocam a refração da luz por entre suas frestas.

As três exposições ficam em cartaz no KW Institute for Contemporary Art até o dia 7 de setembro. O KW fica na Auguststraße, 69, Mitte, em Berlim, aberto de terça a domingo do meio-dia às 19h; quintas, até as 21h.

One comment

  1. Parabéns pelo excelente blog. Vc é de Sampa?
    Do seu ponto de ista, qual a importância dessa exposição do duchamp nas comemorações dos 60 anos do MAM. Clar, arte moder, duchamp, etc..mas vc vê mais algum motivo/



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