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Duchamp vai a São Paulo

June 29, 2008

Acontece a partir do dia 15 de julho, em São Paulo, a maior exposição da obra de Marcel Duchamp já realizada na cidade, e que marca os 60 do MAM, Museu de Arte Moderna de São Paulo.

A exposição, que tem o título “Marcel Duchamp: uma obra que não é uma obra ‘de arte'”, está focada na produção do artista de 1913 até sua morte, em 1968, período em que, segundo a curadora da mostra Elena Filipovic, se concentra a produção mais radicalmente questionadora do artista.

Na foto ao lado, de Man Ray, Duchamp encarna a personagem Rrose Sélavy, que dá nome a este blog.

No UOL, você encontra a íntegra da entrevista exclusiva com Elena e mais detalhes sobre a exposição, além de uma carta que Duchamp escreveu em 1948 para a direção do MAM, para acertar detalhes de uma exposição que acabou por não acontecer.

Abaixo, obras destacadas na entrevista por Filipovic (que foi também curadora da 5a Bienal de Berlim):

“La Boîte de 1914” (“A Caixa de 1914”)
Numa época em que a fotografia era um meio relativamente novo e ainda não bem aceito como uma forma de arte, Duchamp fotografa suas próprias anotações e as exibe numa caixa. “As pessoas fotografavam paisagens, coisas consideradas ‘belas’. Ninguém antes tinha utilizado a câmera como uma fotocopiadora”, explica Elena Filipovic. A obra é uma das primeiras a refletir o interesse do artista na reprodução, tema que influenciará gerações posteriores de artistas, entre eles Andy Warhol.

“Boîte-en-Valise” (“Caixa-Valise”) [clique para ver]
Duchamp realizou 300 exemplares dessa obra, uma espécie de mala-museu que traz dentro 69 réplicas miniaturizadas de trabalhos seus. Apenas 24 exemplares foram chamados “Deluxe” (“de luxo”) pelo artista, o que atestava a existência de uma obra “original” entre as réplicas. A exposição traz duas “Boîte-en-Valise”, uma delas do modelo “Deluxe” que foi presente de Duchamp ao pintor chileno Roberto Matta (1911-2002). Nela, ele faz um espécia de auto-retrato, com mexas de seu próprio cabelo, pelos das axilas e da púbis.

“L.H.O.O.Q.” [clique para ver]
Em francês, a pronúncia dessa sigla produz um trocadilho que pode ser traduzido como “ela tem fogo no rabo”. Trata-se da famosa “Monalisa de bigode”, um dos trabalhos mais conhecidos de Duchamp. A exposição terá uma versão editada pelo artista nos anos 60. O tema, que é recorrente na produção de Duchamp, aparece também num trabalho do artista (apenas um esboço do cavanhaque) feito sob encomenda para um livro.

“Objetos eróticos” [clique para ver]
Três obras da série que Duchamp realizou ao longo dos 20 anos em que trabalhava secretamente no “Étant Donnés”. “Feuille de Vigne Femelle” (“Folha de Parreira Feminina”), “Objet Dard” (“Objeto Dardo”) e “Coin de Chasteté” (“Cunha de Castidade”). Esse último, uma cunha de broze encrustada em um pedaço de plástico para prótese dentária, foi dado por Duchamp a sua mulher, Teeny, como uma espécie de aliança.

“Étant Donnés: 1º La Chute d’Eau/2º Le Gaz d’Éclairage” [clique para ver]
Esta obra conclusiva do pensament de Duchamp levou 20 anos para ser completada e foi feita em segredo pelo artista. O título quer dizer algo como “Dados: 1º A Queda d’Água/2º O Gás de Iluminação”, e faz referência aos elementos que fazem parte da composição hiperrealista da obra. A instalação original está permanentemente montada no Museu da Filadélfia e compreende uma porta de madeira (de aproximadamente 240 cm por 170 cm) com dois pequenos furos, através dos quais se vê a imagem de uma mulher nua, reclinada, com um lampião na mão e uma queda d’água ao fundo. A exposição do MAM terá uma “reprodução virtual”, em uma pequena sala. “Considero que essa obra é uma exposição em si, mais do que uma instalação, pois é uma súmula das preocupações de Duchamp com a maneira como se deve exibir uma obra”, conta Filipovic.

“Grand Verre” (“Grande Vidro”) [clique para ver]
…ou “La mariée mise à nu par ses célibataires, même” (“A noiva desnudada por seus celibatários, mesmo”), é outro original que não sai do Museu da FIladélfia. Um imenso painel de vidro com mais de dois metros de altura, o original tem rachaduras que impedem seu transporte, sob o risco de partir-se de vez. A exposição do MAM receberá uma réplica feita nos anos 90, a partir do projeto original de Duchamp, que vem da coleção do Moderna Museet, de Estocolmo.

Réplicas de “Ready-mades” assinadas por Duchamp [clique para ver]
Todos os ready-mades hoje existentes em qualquer museu do mundo são cópias. Os originais foram destruídos ou perdidos, ainda durante a vida de Duchamp. Durante os anos 50 e 60, o artista assinou novas séries de réplicas desses trabalhos. A exposição traz a famosa “Roda de Bicicleta”, o mictório entitulado “Fonte” e o “Porta-Garrafas”.

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