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A mulher que ama o muro, Julio Iglesias e o futuro

June 7, 2008

Desde o dia 5 de abril (até 15 de junho), acontece a quinta edição da Bienal de Arte Contemporânea de Berlim. As exposições ocupam quatro locais: o instituto de arte KW (“sede” do evento), a Neue Nationalgalerie (Nova Galeria Nacional), o Shinkel Pavillon e o Skupturenpark Berlin Zentrum (ao ar livre). Além desses locais, eventos da Bienal –como shows, performances e palestras– têm acontecido também pelas ruas da cidade ou em teatros, como o Volksbühne.

O número de artistas presente nesta edição da Bienal de Berlim (cerca de 135) é equivalente ao da última Bienal de São Paulo (128), mas o uso de locais diversos (não muito grandes) para a exposição e o revezamento de alguns dos eventos e mostras dão um caráter mais “intimista”. O “título” da mostra é “When Things Cast No Shadow”, o que, segundo os curadores, representa “uma estrutura aberta, sem enredo definido”.

Aqui no blog, há fotos sobre a exposição do turco Masist Gül e uma entrevista com a musicista Dorit Chrysler, ambos na programação da Bienal. Abaixo, mais três participantes ótimos da Bienal, todos com trabalhos em vídeo. (Estão ilustrados com stills porque não achei nenhum no YouTube…)

Melvin Moti (1977), artista dinamarquês. O filme “E.S.P.” (16 min.), em exibição na Neue Nationalgalerie, fala sobre sonhos, memória, passagem do tempo e a busca do ser humano pelo conhecimento do futuro. Moti se baseou em escritos do engenhrio da aeroneautica inglesa, John William Dunne (1875 a 1949) para a narração de seu filme. Em seu livro “An Experiment with Time”, Dunne conta como freqüentemente era supreendido por fragmentos do presente que já haviam lhe aparecido em sonhos, eventos que o levaram a crer que era capaz de prever o que está por vir.

Lars Laumann (1977), artista norueguês. O vídeo “Berlinmauren” (27 min.) traz o depoimento fanstástico de Eija-Riitta, uma mulher de 58 anos que se apaixonou pelo muro de Berlim e se “casou” com ele em 1979. A partir de então, ela fundou um museu dedicado a guilhotinas e ao muro, de onde ela administra um site sobre objetofilia, o amor espiritual e físico por objetos. O filme é exibido em um galpão de madeira, construído num descampado do Skulpturenpark Berlin Zentrum. Como que numa referência ao muro, o espaço é dividivo ao meio por uma parede. De um lado, assiste-se ao vídeo em inglês, do outro, em alemão. (Veja entrevista com o artista)

Patricia Esquivias (1979), artista venezuelana. Seus dois vídeos da série “Folklore” (cerca de 15 min. cada), no instituto KW, contam fatos sobre a história da Espanha de maneira a entrelaçá-los e dar-lhes um sentido ideológico, numa seqüência de silogismos entre o hilariante e o absurdo. No primeiro, a corrupção da ditadura franquista e as raves de Sevilha se encontram, via paella. No segundo, a política de promoção do turismo espanhol baseada nas imagens do sol e do mar é usada para explicar a herança do rei Felipe 2º e o sucesso do cantor Julio Iglesias. “Nas capas dos discos, ele está sempre bronzeado e saindo da água”, diz Esquivias no vídeo.

One comment

  1. fascismo e rave tem tudo a ver.
    sempre achei que o rrúlio era argentino. deve ser pela semelhança com o menen.



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