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Dorit Chrysler: Pescando música no ar

May 30, 2008

A musicista austríaca Dorit Chrysler fez uma apresentação única dentro da programação da Bienal de Berlim, na última quinta-feira (29), no Salão Vermelho do Volksbühne.

Tocando seu teremin e cantando, Chrysler, que já foi definida pela imprensa internacional como um cruzamento de Marianne Faithfull com o físico Nikola Tesla, se apresenta como uma one-woman-show.

Em seus espetáculos, ela faz um cabaré eletrônico em que apresenta pérolas do cancioneiro lounge (como "Besame Mucho") e composições suas. Tudo com um clima entre trilha sonora de filme psicotrônico e performance beatnik. Afinal, para dar algum som, o exótico teremin exige de seu executante uma coreografia no mínimo peculiar, que Chrysler define como uma "pescaria no ar".

A cantora deve ir ao Brasil em 2009, acompanhando o namorado, o artista dinamarquês Jesper Just, que exporá trabalhos seus numa galeria de São Paulo. Chrysler, que fez as trilhas para esses filmes, diz que, no país, gostaria de conhecer "tereministas" brasileiros.

Veja abaixo a íntegra traduzida de uma entrevista exclusiva que a cantora deu a este blog, num café de Kreuzberg, na tarde do dia 29 de maio, primeiro dia de sol e calor, em fins de primavera berlinense.

No site de Dorit Chysler, há músicas para download e um vídeo da cantora em palco. Para acessar, clique no link abaixo:
http://www.doritchrysler.com/

Como você descobriu o teremin e por que resolveu tocá-lo?
Eu morava em NY na época (final dos anos 90), e eu tinha uma banda de rock. Um amigo meu tinha um teremin em casa e ele me mostrou como funcionava. Eu fiquei completamenta fascinada, eu nunca tinha visto algo assim. Eu tinha que ter um. É um instrumento muito difícil de tocar, no começo. Mas eu me apaixonei à primeira vista.

Dorit Chrysler no Volksbühne (29/05/08)Você já tocava algum outro instrumento?
Já. Desde criança, eu estudava flauta e piano. Eu nasci na Áustria, e quando fiquei "rebelde", eu me mudei para Nova York e montei uma banda de rock. Eu tocava guitarra, cantava e gritava. Eu tocava um pouquinho de vários instrumentos. Mas o teremin era o desafio final, porque era o mais difícil de tocar, mas também o mais gratificante. Eu me senti atraída pelo teremin por ele ser tão exótico, por ele ter em si essa desesperaça. Ele é, na verdade, o filho adotivo de todos os outros instrumentos. Muita gente não o leva a sério, acha que ele só faz barulhos horríveis --o que é fácil de se fazer quando não se sabe tocar...

É um pouco como o violino, não? Se você não for afinado, pode ficar muito ruim...
É. E o fato de que você não encosta nele faz com que você não tenha muita orientação. Sua mãos ficam no ar, e a única forma de achar as notas é de ouvido. Não importa quanto você pratique, você está sempre "pescando" (as notas) no ar. É meio como lutar contra moínhos de vento. E quando você consegue chegar à nota, os sons são tão emocionantes e doces. Eu adoro esse esforço tremendo de tentar fazer o teremin tocar afinado.

Como o teremin funciona? O que faz cada mão?
O teremin é composto de dois campos magnéticos, um para volume e um para a afinação. Eu sou canhota, de forma que eu toco ao contrário. Daí, o corpo entra no campo magnético. De um lado, a antena controla as notas, e, do outro, controla-se o volume. Quanto mais perto você chega da antena, mais agudo é o som. Mas você tem que modular volume e afinação. Então, é preciso dividir o cérebro em dois e controlar os dois campos.

Você tem discos lançados?
Sim. Mas eles são muito difíceis de achar, porque saem sempre por selos pequenos e excêntricos, em edições especiais. Acho que a melhor maneira de encontrá-los é acessando meu site e entrando em contato comigo em http://www.doritchrysler.com/. Estou terminando meu terceiro disco solo, que deve sair em breve. Este vai ser mais fácil de comprar pela Internet. Eu sempre tive minhas dúvidas quanto ao download de mp3, mas agora me entreguei a essa tecnologia. Acho que é preciso facilitar o acesso das pessoas a minha música.

Há quanto tempo você toca o teremin?
Eu toco há uns sete anos. No começo, era horrível. Meu vizinho do andar de cima vivia reclamando. É preciso ter muita paciência.

Dorit Chrysler no Volksbühne (29/05/08)É verdade que você tem planos de ir ao Brasil?
Sim, é bem possível que eu vá, no ano que vem. E, se eu for, quero tocar teremin lá. E eu adoraria me encontrar com tereministas brasileiros. É incrível, nos lugares mais distantes em que eu já fui, é sempre possível encontrar pessoas que tocam teremin. Estou muito curiosa para ver se vou encontrar alguém que toque teremin no Brasil.

E o que você acha de dizerem que você é uma mistura da cantora inglesa Marianne Faithfull com o físico sérvio Nikola Tesla?
Eu me identifico mais com o Tesla, porque ele também trabalhava com eletricidade. Há uma relação forte entre Tesla e Leon Theremin, inventor do instrumento. Mas, felizmente, eu não preciso escrever sobre mim mesma, porque isso seria terrível. Então, o que as pessoas disserem, para mim, está bem.

Assista abaixo a um clipe caseiro da música "Sustain Me" que mistura cenas de filmes psicotrônicos com apresentação ao vivo da cantora em 2006.

2 comments

  1. PS. ela é linda


  2. eu também toco teremin e nunca fui entrevistada: por que certas pessoas recebem atenção da mídia especializada e outras seguem anônimas no mato?



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