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Portishead: “Abra a janela e conte as estrelas”

May 8, 2008

Saiu! O disco novo do Portishead, o terceiro que é quarto, saiu. Começa com um tipo falando umas bobagens em português, mas nem isso estraga. Parodiando John Cage, é música para abrir a janela e contar as estrelas…

PortisheadPORTISHEAD – “Three”
Depois de um hiato de praticamente uma década, o Portishead lança seu terceiro disco de estúdio. No total, no entanto, este disco é o quarto da banda. Depois de “Dummy” (1994) e “Portishead” (1997), o grupo lançou o ao vivo “PNYC” (1998), gravado em Nova York. Além disso, em 2002, saiu o disco solo da vocalista Beth Gibbons, cujos ecos também aparecem neste novo disco do grupo.

“Third” é provavelmente o disco mais hermético, menos pop e mais variado (não digo eclético) do Portishead. Nele, o grupo leva adiante as experimentações com o formato das canções, com a sonoridade densa de trilha sonora soturna que se tornou marca registrada do grupo, e com o potencial hiperdramático de Gibbons. Mas para “atualizar” seu trip-hop, o grupo acrescentou ao pop e ao jazz que já faziam parte da amálgama, folk, electro e mais experimentalismo.

O disco abre com um improvável “sermão” em português, sobre a “regra dos três”, algo entre auto-ajuda e Zé do Caixão. Mixada à pregação, “Silence” é provavelmente a faixa mais dramática e pantanosa do disco, e termina num corte abrupto. A fratura sonora, logo após a primeira faixa, como que “zera” a audição do disco e faz tudo o que veio anteriormente virar só uma preparação.

E o Portishead que se apresenta com “Third” não é o sedutor envolvente de “Dummy”. É música que ganha o ouvinte não por um agrado generalizado, mas por pequenas revelações de beleza. Sem candidatos a hit como “Sour Times” (lembra daquele loop do Isaac Hayes mais sampleado dos anos 90?), a recompensa vem, mas só a quem se entrega à audição do disco: seja com a dureza de “Machine Gun” ou com o desamparo folk de “The Rip”, o peso de “We Carry On” ou a quase leveza de “Deep Water”.

One comment

  1. Muito mais que um bedel. Eu fui injustíssimo com vc no post, com toda certeza!!! Vc me deu a exata dimensão do texto jornalístico, de como fazer uma entrevista de verdade. Sua paciência comigo ímpar. Lições extra e nada ordinárias para vida!!!!



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