h1

Aída, ópera minimental

February 14, 2008

Se continuar assim, São Paulo vai se tornar a capital mundial de montagens trash de “Aída”. Em 2007, a cidade recebeu a assustadora “Aída, Ópera Monumental”. Este ano, o drama do amor impossível entre o general egípcio e a princesa etíope chega à cidade numa versão estilo musical da Broadway, escrita por Elton John, o homem que revolucionou o pop com seu piano branco e seus óculos coloridos (!).

“Aída”, a ópera, foi composta por Verdi (com texto de Antonio Ghislazoni), no final do século 19, sob encomenda do governo egípcio, para ser um marco comemorativo da inauguração do Canal de Suez. O enredo gira em torno do triângulo amoroso formado pela princesa etíope Aída, capturada como escrava durante um ataque do Egito a seu país; Radamés, líder das tropas egípcias, e Amnéris, princesa egípcia a quem Radamés está prometido.

Resumo da ópera: Aproveitando-se do fato de que Radamés está apaixonado por ela, Aída descobre quando os egípcios pretendem atacar novamente seu país e manda avisar o rei, seu pai. Depois de uma campanha fracassada (pois os etíopes estavam preparados), Radamés é acusado de traição (por ter supostamente ajudado os inimigos) e é condenado a ser trancafiado vivo dentro de uma tumba. Lá dentro, para sua surpresa, ele encontra Aída, que resolvera acompanhá-lo ao reino dos mortos –não fica muito claro se por muito amor ou bastante culpa. Enquanto isso, lá fora, Amnéris, a traída, canta sua avassaladora ária final sobre a lápide debaixo da qual agonizam o amado e a rival.

Enfim: a história é absurda e os sentimentos são “over the top”, como em toda ópera. Afinal, se você não gosta de drama, não vá à ópera, vá a uma apresentação da Pina Bausch.

Ópera tem que ser exuberante, não confundir com horripilante, que é como foi a montagem de “Aída” que veio ao Brasil no ano passado. A montagem era alardeada como uma experiência multimída e “monumental”, adjetivo que vinha no título do espetáculo, mas era um blefe. Os cenários faziam a maior força para ser hi-tech, com projeções de animação 3-D, mas eram muito precários, assim como os figurinos, muito grosseiros. Os cantores e a orquestra eram amplificados, o que, em si, já não vai muito bem com uma ópera do século 19, ainda mais se a equalização e a acústica da sala deixarem todos os cantores com “voz de panela” (expressão usada pela saudosíssima professora de canto Leyla Farah para acabar com um cantor).

Quanto à ópera de Elton John, que chega agora a São Paulo, é possível que o motivo mais forte que tenha levado o compositor a se dedicar a essa versão tenha sido a oportunidade de colocar elefantes, camelos e homens sem camisa no palco. Seu talento poderia ter sido mais bem empregado em uma ópera sobre a vida de Lady Di, com todos os detalhes íntimos que ela contou só para ele e para George Michael. E o dramatis personae poderia incluir até Lúcia Flecha de Lima.

Pra constar: Reproduzo a seguir informações publicadas por Irineu Franco Perpetuo na Folha, em outubro de 2007, por ocasião da estréia de “Aída, Ópera Monumental”:

A última vez que “Aída” mereceu uma montagem tradicional em São Paulo foi em 1993, no Municipal. Em 1995, Julio Medaglia dirigiu uma produção ao ar livre no Centro Poliesportivo Constâncio Vaz Guimarães e, em agosto, houve uma brilhante execução da partitura em versão de concerto, na Sala São Paulo, sob a batuta de Lorin Maazel.

One comment

  1. ainda tenho na memória aqueles 20 reais de estacionamento… ou eram cinquenta?



Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: