A mais recente edição do programa “Espaço Aberto”, da Globonews (reprisado na manhã deste sábado), fez de tudo para enfocar a depressão como se ela fosse uma dor nas costas. Já na abertura do programa, a apresentadora Carla Lopes dizia que a depresão “se transformou em um dos males mais comuns da modernidade, e, segundo a Organização Mundial de Saúde, caminha para ser a segunda causa de incapacidade para o trabalho”. Bem pragmática.
Ana Luiza Camargo, psiquiatra do Hospital Albert Einstein, e Paulo Monzillo, neurologista da Santa Casa de São Paulo, passaram meia hora defendendo a tese de que a depressão é uma síndrome sistêmica, causada por condições físicas, como deficiências hormonais etc. Para Ana Luiza, a função das psicoterapias é ajudar o paciente a “aceitar sua condição” de deprimido. Para além disso, só os remédios.
Por que as mulheres são mais susceptíveis? “Isso é uma questão importante que não está resolvida. A gente sabe que tem uma situação hormonal envolvida. E possivelmente tem também uma questão de todo o arcabouço cerebral, de como funciona o nosso sistema nervoso central. Existem doenças que só acometem homens, doenças que só acometem mulheres”, evadiu a psiquiatra.
“Como prevenir a depressão?”. Sim, houve esta pergunta: “Como prevenir a depressão?”.
“Ser feliz. Existe uma dificuldade, muitas vezes, do ser humano, até por questões culturais e religiosas, de se sentir feliz”, respondeu o neurologista. Então, depressão é uma doença com causas ideológicas… “Quando não der para prevenir, é importante fazer o diagnóstico precoce, e sem preconceito”, encerrou Ana Luiza.
É a psicologia da paz, do amor e da flor: Sem preconceito de ser feliz… Como diria Didi Mocó: “Cuma?!”
Em seu site oficial, o DEI (Discovery Enterprises International), empresa à qual pertence o Discovery Channel, propagandeia ser a empresa número um de “mídia não ficcional”, com mais de 1,5 bilhão de assinantes em todo o mundo. Mas os programas sobre casas mal assombradas (com títulos como “Almas Penadas” e “Caça Fantasmas”) com que o canal estufou sua programação fazem o telespectador se perguntar o que exatamente quer dizer “mídia não ficcional”. Isso sem contar outros programas suspeitos que já estiveram na grade da emissora, como uma série sobre paranormais que ajudam a polícia a solucionar crimes e outra sobre investigadores de disco voador. Muito estranho…
Farrah Fawcett morreu nesta quinta (25), aos 62 anos, em Santa Monica, California, depois de passar três anos fazendo um tratamento intensivo contra câncer. Ícone da moda, ela ficou famosa pelo corte de cabelo repicado que usou no seriado “As Panteras”, do qual participou de 76 a 80, no papel de Jill Munroe. A imagem acima é de um de seus primeiros filmes, “Myra Breckinridge” (1970), cult baseado em livro homônimo de Gore Vidal, em que ela contracena com John Huston, Mae West e Raquel Welch. No filme, ela interpreta Mary Ann Pringle, uma interiorana ingênua, e protagoniza uma famosa “cena lésbica” com o personagem título, um transexual vivido por Welch (veja no link abaixo). Farrah deixa um filho, Redmond, 24, de seu relacionamento com o ator Ryan O’Neil, com quem estava casada atualmente.
Desde que começou a virar celebridade, ela é centro das atenções por ser uma aberração que coça a bunda diante das câmeras e destrata telespectadores que participam de seu programa. “Será que ela toma bola?” é a primeira pergunta que vem à cabeça. Basta uma busca no YouTube para ver os highlights da carreira prodigiosa da apresentadora-mirim Maisa Silva. Uma compilação de seus “melhores momentos” já teve quase um milhão e meio de acessos.
Há algumas semanas, como que a ilustrar mais um caso de criatura que se volta contra o criador, depois de já ter puxado a peruca de Silvio Santos no ar, Maisa disse ao apresentador que ele era “conservado em formol”. Isso não parece formulação de uma criança de seis anos. Provavelmente repetiu o que algum adulto disse por perto. Afinal, não é isso o que ela faz? Ou é ela quem dirige os programas? Quem foi que achou engraçado por no ar (e incentivou) as primeiras “espontaneidades” que ela cometeu? Acreditar que ela age segundo dita sua “sinceridade infantil” é o mesmo que acreditar na espontaneidade dos participantes do “Big Brother”.
Agora SS e Maisa vivem uma relação de dependência e ódio (acho que, no caso, não cabe dizer “amor e ódio”), e o apresentador vai levando vantagem nessa. Já fez a menina chorar no ar duas vezes. Sempre aos risos, para riso da platéia. A platéia acha graça porque pode se “vingar” da menina. Afinal, aos olhos do público, ela tem tudo, e “tudo” quer dizer “fama e dinheiro”. Relações de admiração fanática (tipo fã) e dependência, todo mundo sabe (e Freud explica), podem degringolar facilmente para inveja e vingança. Mas o mais perverso é a invisibilidade dos pais dessa coitada. Num dos programas (segundo vídeo abaixo), Maisa chama repetidamente pela mãe, que se esconde na coxia durante uma crise de desespero da menina, depois de ter batido a cabeça na câmera: “Mãe, está doendo muito! Minha cabeça! Meu Deus!”. Parece a fala de algum personagem delirante, à beira de uma catástrofe.
Silvio Santos em seu último programa, depois que Maisa começou a chorar (choro que ele instigou), puxou um coro da platéia: “Medrosa! Medrosa! Medrosa!”. Nenhuma pessoa deveria ter de passar pela humilhação de ser chamado de covarde, ao vivo, na TV. Além do mais, Maisa não parece exatamente ser covarde, mas estar à beira de um ataque de pânico. Se ela está ali, naquele palco, é porque a emissora (que pertence a SS) a considera talentosa –para atrair audiência, que seja. SS é o dono da emissora e patrão da menina. Em outras palavras, uma relação de trabalho assimétrica, de cima para baixo. Acho que, em outro tipo de emprego, ficaria claro que isso configura, no mínimo, assédio moral.
Em notícia publicada pelo jornal “Extra”, na última terça (19), um membro do Conselho Estadual dos Direitos da Criança de São Paulo (Condeca – SP), João Carlos Guilhermino da França, opina que as cenas são suficientes para entrar com uma ação no Ministério Público contra o apresentador e a emissora. “Essa criança precisa ser protegida”, declarou ao jornal.
Mas onde estão esses pais invisíveis?
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A exposição de crianças à mídia não é uma questão nova e sempre despertou controvérsia. Se, por um lado, a indústria do entretenimento sempre contou com astros infantis para engordar os bolsos (Shirley Temple, Judy Garland, Michael Jackson, Britney Spears e por aí a fora), sempre houve quem apontasse os prejuízos que essa exposição precoce poderia acarretar. “Belíssima” (“Bellissima”, 1951), de Visconti, é um filme que já falava sobre isso. Lá, a menina “belíssima”, sem talento nenhum, é usada pela mãe (Anna Magnani) para aplacar sua própria vaidade. “O Que Terá Acontecido a Baby Jane” (“What Ever Happened to Baby Jane”, 1962), de Robert Aldrich, oferece uma visão aterradora do que o futuro reserva para as crianças exploradas pelo showbiz (vividas por Bette Davis e Joan Crawford).
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Maisa chora pela primeira vez (10/05/09):
Maisa chora novamente (17/05/09):
Bette Davis em “O Que Terá Acontecido a Baby Jane” (1962):
Cláudia Raia como Donatela ou Javier Bardén em “Onde os Fracos não Têm Vez”?
E alguém conta pra gente que São Paulo é essa em que moravam os personagens de “A Favorita”, com cavalos, pracinhas com quermesse, rio pra tomar banho…