“Coco Antes de Chanel” é uma bobagem, e Audrey Tautou deve ser uma chata de galocha, pelas entrevistas pretensiosíssimas que tem dado para divulgar o filme, se comparando à própria Chanel. Menos, Audrey… A obra cinematográfica mais à altura do visionarismo de Chanel (embora ela não apareça como personagem) continua sendo “O Ano Passado em Marienbad” (1961), filme do qual ela fez o figurino (leia aqui um post sobre o assunto). Mesmo assim, vamos lá, já está publicada no UOL a crítica de “Coco Antes…”. (Ah, adoro o fato de que no pôster brasileiro o cigarro na mão da estilista tenha sido substituído por uma caneta. Daqui a pouco, teremos de volta as bolinhas que correm atrás de partes pudendas…)
Farrah Fawcett morreu nesta quinta (25), aos 62 anos, em Santa Monica, California, depois de passar três anos fazendo um tratamento intensivo contra câncer. Ícone da moda, ela ficou famosa pelo corte de cabelo repicado que usou no seriado “As Panteras”, do qual participou de 76 a 80, no papel de Jill Munroe. A imagem acima é de um de seus primeiros filmes, “Myra Breckinridge” (1970), cult baseado em livro homônimo de Gore Vidal, em que ela contracena com John Huston, Mae West e Raquel Welch. No filme, ela interpreta Mary Ann Pringle, uma interiorana ingênua, e protagoniza uma famosa “cena lésbica” com o personagem título, um transexual vivido por Welch (veja no link abaixo). Farrah deixa um filho, Redmond, 24, de seu relacionamento com o ator Ryan O’Neil, com quem estava casada atualmente.
Aparentemente, o filme “Cama de Gato” (2000), de Alexandre Stockler, com Caio Blat no elenco, está sendo distribuído na Internet como um filme pornográfico. Um trecho do longa foi publicado e pode ser assistido no site “Xvideos”, uma espécie de YouTube X-rated, em que produtoras de filmes pornô e usuários podem fazer upload de seus vídeos. “Cama de Gato” foi publicado no “Xvideos” por “Jackal33″ e pelo site “Erotic4u.com”. O filme conta a história de três amigos que resolvem estuprar a namorada de um deles (a atriz Rennata Airoldi). E esta é a cena que, filmada de maneira bem explícita, aparece no site (clique aqui se quiser ver). “Cama de Gato” passou em circuito comercial em 2004, e, por causa do realismo das cenas, foi recusado em algumas salas.
Essa aí na foto é a atriz paulistana Nathalia Zemel, 18, que embarcou para Cannes no dia 12, para representar no festival de cinema francês o filme “Elo”, junto com a diretora Vera Egito. Nathalia é a protagonista do curta que conta a história de uma garota que vive sua primeira desilusão amorosa aos 15 anos, em 1982, no dia da morte de Elis Regina. “Elo” abre a programação de curtas da Semana da Crítica, na quinta. Nathalia está também no elenco de “À Deriva”, de Heitor Dhalia, que será exibido na mostra paralela Un Certain Regard. A atriz prometeu que, na volta, vem aqui contar para este blog como foi fazer a estrela em seu “primeiro tapete vermelho”. O que ela vai usar? “Estou levando um vestido Néon e um Guilherme Guimarães, da Danuza, que a Rita (Wainer) me emprestou”. Guilherme Guimarães?! A gente acha chique.
O Festival de Cannes, que acontece de 13 a 24 de maio, é uma das principais mostras competitivas de cinema e nesta 62a edição conta com nomes como Pedro Almodóvar, que comparece com seu “Los Abrazos Rotos”; Jane Campion, que dirigiu o lacrimoso “Bright Star”; Quentin Tarantino, que leva “Inglorious Bartards”; Ang Lee, que apresenta “Taking Woodstock”; Lars Von Trier, que apresenta o drama “Antichrist”, e Ken Loach, que comparece com a comédia “Looking for Eric”. A atriz francesa Isabelle Huppert preside o júri.
O festival não tem nenhum brasileiro concorrendo à Palma de Ouro, principal premiação. Eduardo Valente compete pelo prêmio de melhor estreante, a Câmera de Ouro, com “No Meu Lugar”, e, em programações paralelas, passam o longa de Dhalia, dois curtas de Vera Egito (“Elo” e “Espalhadas pelo Ar”), o curta “Chapa”, de Thiago Ricarte, e “Superbarroco”, de Renata Pinheiro.
Enquanto filmava seu longa mais recente, “Los Abrazos Rotos” (“os abraços partidos”), que estreou em março na Espanha, Pedro Almodóvar resolveu fazer um curta, formato a que não se dedicava há cerca de 30 anos. Produzido para o emissora de TV espanhola Canal +, “La Concejala Antropófaga” (“a conselheira antropófaga”) tem no elenco as atrizes Penélope Cruz, Marta Aledo e Carmen Machi, no papel que dá nome ao filme. Enquanto cheira cocaína com uma colherinha, a “conselheira” conta a uma mulher desmaiada sobre a mesa de sua cozinha que considera o sexo um assunto de profundo interesse social (“é preciso incentivar-se a cultura da promiscuidade”, ela diz) e descreve como gostaria de devorar um homem inteiro, a partir do dedão do pé. “Que diferença faz comer um pé de porco ou o pé de um bofe?”, ela reflete. O curta de 15 minutos foi rodado no último dia de gravação de “Los Abrazos Rotos” e aproveitou duas paredes do cenário do filme, “as únicas que ainda estavam de pé”, contou Almodóvar em uma entrevista ao Canal +. “(A conselheira) é o desenvolvimento de um personagem cômico de ‘Abrazos’ que aparece só um pouquinho no filme. Carmen Machi faz uma participação de três minutos em ‘Abrazos’, mas o trabalho com ela foi tão estimulante que decidi fazer esse curta”, explicou o diretor. “Foi um capricho que eu me permiti depois de terminar as filmagens”. Ainda segundo Almodóvar, o curta tem inspiração direta em seus trabalhos mais antigos, como “Pepi, Luci, Bom” (1980), “Mulheres À Beira de um Ataque de Nervos” (1988), e na personagem Patty Diphusa. “São mulheres diretas, muito espontâneas, que beiram a grosseria; os textos são muito sujos, delirantes, mas têm sua graça justamente nisso. Fazia muito tempo que eu não escrevia nesse tom, e recuperá-lo me fez pensar se eu não deveria retornar a ele para fazer algo maior”.
Essa, acima, é a atriz Delphine Seyrig (1932-1990), ícone de feminilidade e elegância do cinema francês, em cena de “O Ano Passado em Marienbad” (“L’Année Dernière à Marienbad”, 1961), um dos filmes mais desconcertantes da história. Em clima de sonho e com uma narrativa fragmentada, o longa se passa num resort de luxo, onde um homem encontra uma mulher que supõe ter conhecido no ano anterior, possivelmente no mesmo local. Ela nega ser a mesma pessoa, mas seus atos são ambíguos. Um outro homem surge. Seria seu marido? Mais memórias, fotos, frases ditas, entonações. Um crime pode ter acontecido… A narrativa remói fragmentos de lembrança, como que a buscar a versão “real” do passado, e a câmera flutua entre os personagens que diversas vezes entram em estado de “suspensão”. O rigor formal do filme é reforçado pelo figurino, de Coco Chanel, com “edição” do cenógrafo Bernard Evein. Indicado ao Oscar de melhor roteiro original e vencedor do Leão de Ouro do Festival de Veneza, “O Ano Passado em Marienbad” consagrou o diretor Alain Resnais e deu notoriedade a Seyrig (que mais tarde trabalharia com diretores como Buñuel e Truffaut). Abaixo, algumas cenas em que a elegância do figurino (e da atriz) é central no filme, como que a evidenciar a forma idealizada em que a memória se cristaliza.
Veja trechos de “O Ano Passado em Marienbad” no YouTube
Assista ao clipe de “To the End”, do Blur, que parodia o filme
Foi André Simonetti, figurinista, que me lembrou outro dia deste filme, “Marcas do Destino” (“Mask”, 1985): “Tem as camisetas mais incríveis do mundo”, ele disse. Peguei o DVD para rever. O filme já passou muitas vezes na “Sessão da Tarde” e é tipo uma versão teen do “Homem Elefante”, vagamente baseado em fatos reais. Rocky Dennis (Eric Stoltz) sofre de uma doença degenerativa e tem uma gigantesca deformidade craniana. Na companhia da mãe, Florence (Cher), dos amigos motoqueiros e de seus colegas de escola, ele tenta levar uma vida normal (ou quase). A história se passa em 1980, e o figurino traz muita moda college, casacos de couro, jeans e, é claro, camisetas. O filme, que lançou as carreiras de Stoltz e Laura Dern, ganhou um Oscar de melhor maquiagem e deu a Cher, em Cannes, o prêmio de melhor atriz, consagrando-a como uma atriz “séria” (dois anos depois, ela levaria um Oscar por “Feitiço da Lua”). Fiz aqui uma seleção das melhores camisetas e outros ícones da moda dos anos 70/80 que aparecem no filme. Meus favoritos são o moletom com silk de black tie (usada por Ben, melhor amigo de Rocky), a camiseta escrita “moustache rides” (usada por Gar, namorado de Florence) e a jaqueta jeans com caveira nas costas (da gangue “Turks”). Ah, e tem também o visual white-trash da Cher e suas amigas.
A fábrica de instrumentos Gibson e a fundação ABC Trust (do casal Jimena e Jimmy Page) promovem em Londres, de 23 de abril a 12 de maio, a exposição “A Força da Rua/Force of the Street”, de guitarras decoradas por 12 grafiteiros ingleses e brasileiros, entre eles Calma, Speto e Titi Freak, de São Paulo, e D*Face, Inkie e Remi/Rough, de Londres. Uma das guitarras da exposição será produzida com a arte escohida por um concurso online, aberto a artistas do mundo todo (veja aqui as regras). A verba arrecadada com a venda dos instrumentos, em um leilão beneficente que acontece no dia 29 de abril, será revertida para os trabalhos da fundação com crianças carentes do Centro da capital paulista. A exposição acontece na galeria theprintspace (74 Kingsland Road), e o leilão, no The Cuckoo Club (Swallow Street).
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O trabalho da ABC Trust é tema de um documentário, “Weapon of Choice” (em fase de produção), da diretora inglesa Lorna Lavelle, que esteve no Brasil em fevereiro deste ano e deve retornar em junho para terminar as gravações. Lorna se prepara ainda para lançar o filme “The Man from Unkle”, sobre o marido, o produtor James Lavelle.
Abre a programação de documentários do Festival de Cinema de Berlim, nesta sexta (6), o longa “The Yes Men Fix the World” (trailer e trechos do filme). O filme acompanha as façanhas dos ativistas políticos Andy Bichlbaum e Mike Bonnano, que se fazem passar por altos executivos de corporações acusadas de crimes contra o meio-ambiente e dão declarações polêmicas ou absurdas em nome dessas organizações (no melhor estilo “Borat engajado”). Na imagem acima, Bichlbaum engana a BBC e, em nome da Dow Chemichals, assume a total responsabilidade pelo acidente químico de Bhopal. Como resultado, as ações da empresa despencam no dia seguinte ao anúncio falso. Na vida real, Bichlbaum e Bonnano são respectivamente Jacques Servin e Igor Vamos. O primeiro é ex-funcionário da empresa Maxis e ganhou certa notoriedade ao inserir imagens de homens sem camisa se beijando, no jogo SimCopter (1996), o que lhe rendeu a demissão da fabricante de games. Vamos é professor-assistente de artes no Instituto Politécnico Rensselaer, em Nova York. “The Yes Men Fix the World” estreou no dia 16 de janeiro, no Festival de Sundance, e ainda não tem data prevista para entrada no circuito comercial. Ah! Não confundir com a comédia abobalhada “Yes Man” (“Sim, Senhor”), com o careteiro Jim Carrey, que já está em cartaz no Brasil.
“Lenin kam nur bis Lüdenscheid” (ou, em tradução livre, “Lênin só chegou até Lüdenscheid”) é o nome deste filme que está chegando aos cinemas na Alemanha. O filme, dirigido por André Schäfer e baseado em livro homônimo de Richard David Precht, é uma espécie de “Adeus, Lênin” às avessas. Nascido em 68, filho de pais esquerdistas, na ex-Alemanha Ocidental, o autor reflete (com humor e ironia) sobre os fatos políticos que marcaram sua infância e juventude, como as revoltas estudantis, a Guerra do Vietnam, o terrorismo do Baader-Meinhof e a queda do Muro. Precht conta como era viver no Ocidente, em uma família que baniu de casa Mickey Mouse, Coca-Cola e outros ícones do “imperialismo americano”, e que almejava as conquistas sociais do comunismo que supostamente haviam sido feitas pela “outra” Alemanha. O filme vem puxado pelo gancho dos 40 anos do “movimento de 68″ e traz o subtítulo “minha pequena revolução alemã”. Aliás, sobre o 40º aniversário de 68 (na Alemanha e no mundo), o Goethe Institute lançou um site especial que vale a visita.
Abaixo, o trailer do filme (que, por enquanto, só tem data de estréia na Alemanha):